domingo, 2 de dezembro de 2012

Os nove jogos que derrubaram o Sport


Atacante Gilberto sai de campo desolado após o rebaixamento. Foto: Alexandre Gondim/JC Imagem
Foram 21 rodadas, ou 55,2% do Brasileirão na zona de rebaixamento. Em 38 jogos, apenas dez vitórias contra 11 empates e 17 derrotas. Um aproveitamento de 36%. Números incontestáveis que traduzem bem a queda do Sport para a Série B depois de apenas um ano na elite. Mas dentro de toda a campanha uma fração dela foi fundamental para determinar o descenso.

Para facilitar a compreensão do torcedor, a campanha leonina foi dividida em quatro períodos de nove jogos, já que o número que mais se aproxima da média dos treinadores que comandaram o time no Brasileirão. Os dois últimos, Waldemar Lemos e Sérgio Guedes, tiveram 10 rodadas contra 15 de Vágner Mancini e outras três com Gustavo Bueno - este sempre no papel de interino. Ficou constatado que o segundo período, compreendido entre a 10ª e a 18ª rodadas foi crucial para determinar a queda.
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No período citado, o Leão somou apenas dois pontos, o que dá um aproveitamento de 7,4%. Nos demais períodos, o aproveitamento vai de 42,4% a 48,1%, o que daria uma campanha para ficar entre 10º e 12º lugares. Bem semelhante ao melhor desempenho recente dos rubro-negros na Série A, o 11º lugar em 2008, ano em que o clube venceu a Copa do Brasil e não tinha grandes aspirações no Brasileirão.

Os nove jogos que derrubaram o Sport tiveram como técnicos Vágner Mancini, entre a 10ª e a 16ª rodada, e o interino Gustavo Bueno, nos dois últimos compromissos desse período. No total foram dois pontos marcados em 27 possíveis. Além dos dois empates - 1x1 com a Ponte Preta e 0x0 com o Atlético-GO - foram sete derrotas. Nos gols, mais números pífios. Foram apenas três marcados contra 15 sofridos.

Foi nesse período que a comissão técnica ganhou mais opções como o lateral-direito Cicinho, os atacantes Henrique, Gilsinho e Gilberto e o meia Hugo. Foi justamente com mais gente para jogar que o então comandante Vágner Mancini perdeu-se na organização do time. Mudava a escalação a cada jogo e chegou até a culpar o bom gramado da Ilha do Retiro como responsável pelos adversários atuarem mais à vontade.

No primeiro período, entre a primeira e a nona rodadas, o time conseguiu 44,4% dos pontos, fruto de três vitórias e três empates. No terceiro, que coincidiu com a chegada de Waldemar Lemos, na 19ª rodada, o time conseguiu os melhores resultados, embora já estivesse na zona de rebaixamento. Novamente foram três vitórias, somadas a quatro empates, que subiram o percentual de pontos para 48,14. Esse ciclo encerrou-se no 27º giro.

O último período - entre a 28ª e a última partida, quando o Leão teve pela frente equipes mais bem colocadas como Fluminense, Botafogo, Grêmio e Vasco, o time conseguiu mais vitórias. Foram quatro, todas sob o comando de Sérgio Guedes, mais dois empates. O aproveitamento foi de 42,4%

Abaixo, os jogos que determinaram a queda rubro-negra.

10ª rodada - Grêmio 3x1 Sport


Na rodada anterior, o time vinha de uma boa sequência com duas vitórias e um empate. Por isso, a torcida estava confiante para enfrentar o Grêmio, em pleno Olímpico. Seria a última chance para os rubro-negros conseguirem tal feito na Série A, já que a partir do próximo ano, o Tricolor Gaúcho fará seus jogos na nova arena.

E o Sport começou bem, apesar do posicionamento recuado. O time postou-se em seu campo defensivo, mas sem dar espaço para os gremistas trocarem passes. A única maneira de jogar era no lançamento longo. Em alguns contra-ataques, o time pernambucano assustou até Felipe Azevedo abrir o placar aos 38 minutos numa cabeçada.

O time da casa voltou com Leandro no segundo tempo. E o Sport voltou com a marcação mais frouxa. O Grêmio conseguiu tocar a bola e virou a partida com gols de Marcelo Moreno e Leandro (duas vezes).


11ª rodada - Sport 1x4 Atlético Mineiro


Depois da virada no Olímpico, o time da Ilha teria uma pedreira pela frente: o então líder do Campeonato Brasileiro, Atlético-MG. Sabendo que o adversário tentaria se recuperar do revés anterior, o técnico Cuca deixou seu time atrás, para explorar a velocidade de Ronaldinho e Bernard. Sem criatividade para furar o bloqueio mineiro, os rubro-negros tiveram muita dificuldade em chegar ao gol.

Só conseguiram aos 25 minutos num chute cruzado de Cicinho. Victor deu rebote e Gilberto empurrou para o gol. Ainda no primeiro tempo o Galo empatou com Danilinho. Precisando da vitória, Mancini sacou Marquinhos Paraná para acionar Gilsinho. Com três atacantes foi fatal para o Leão, que viu Ronaldinho virar a partida logo depois da alteração, num contra-ataque.

Mais sete minutos e Jô ampliou a vantagem. Como um relógio, o Atlético esperou mais sete para definir a vitória. Bernard, por cobertura, selou a sorte dos donos da casa.


12ª rodada - Ponte Preta 1x1 Sport


O time conseguiu dar um alento à sua torcida logo depois das duas derrotas seguidas. Enfrentando a Ponte Preta, no Moisés Lucarelli, os leoninos iniciaram a partida dando a impressão de que seriam presas fáceis para a Macada. Foi aí que entrou em cena o goleiro Magrão. O capitão engrenou uma sequência de grandes atuações, que, se não evitaram a enxurrada de derrotas que se aproximava, ao menos poupou o retrospecto do time de vergonhosas goleadas.

Sabendo da fragilidade do oponente, a Ponte avançou a marcação e pressionou a saída de bola. O resultado veio rápido. Aos cinco minutos, Rildo cruzou da esquerda e André Luís fez 1x0. A agonia só diminuiu a partir dos 20 minutos, quando os rubro-negros conseguiram tocar melhor a bola e conseguiram o empate com um belo chute de Marquinhos Gabriel.

Porém, no segundo tempo, a Ponte voltou a pressionou e chegou perto do desempate várias vezes. Magrão apareceu pelo menos em quatro oportunidades para impedir uma nova derrota.


13ª rodada - Sport 0x0 Atlético-GO


Depois de três jogos sem vitória, o Sport teria uma bela oportunidade de quebrar esse incômodo jejum. O time teria pela frente o Atlético-GO, na época em penúltimo lugar com míseros oito pontos. O Leão estava em 14º. O técnico Vágner Mancini já dava mostras que não conseguia fazer o time render, sucedendo alterações a cada jogo e a equipe portou-se novamente desorganizadamente. 

E o Atlético foi quem levou perigo primeiro. O Sport, aliás, só veio acordar nos dez minutos finais da primeira etapa. Mas ainda sem acertar a pontaria. Os leões voltaram para o segundo tempo pressionando o Dragão. E aí entrou em cena o goleiro Márcio com grandes defesas.

Depois de tanto martelar, o Sport perdeu as forças na reta final e o adversário valorizou a posse de bola, evitando que o os donos da casa levassem mais perigo.


14ª rodada - São Paulo 1x0 Sport


Se no sofrido empate com a Ponte Preta Magrão foi fundamental, a derrota mínima para o São Paulo (1x0) na 14ª rodada foi, literalmente, escrita com as mãos do camisa 1. Numa das maiores atuações de sua carreira, o goleiro leonino salvou pelo menos seis gols certos do tricolor paulista.

Só por essa avalanche do adversário pode-se ter uma ideia do quão frágil foi o Sport na partida. E foi mesmo. Sem criatividade e força ofensiva praticamente nula, o time apenas olhou o oponente jogar e rezava para que o goleiro segurasse as pontas lá atrás.

O gol dos paulistas saiu apenas aos 35 minutos do segundo tempo. O Sport colecionava sua quinta partida sem vencer e chegava ao 15º lugar, com 14 pontos. Eram apenas dois a mais que o Bahia, o abre-alas da zona de rebaixamento.


15ª rodada - Sport 0x2 Vasco


Depois de 13 anos, o meia Juninho Pernambucano pisaria no palco em que seu futebol nasceu. Ao contrário do carinho de um pai, o tratamento foi digno das piores madrastas das histórias infantis: vaias e xingamentos em uníssono. Pena que esse comportamento não fez a sina do Sport mudar. O time voltou a perder e caiu para a 16ª posição, a última antes da zona de degola.

Com a chuva no primeiro tempo, o jogo ficou travado. Menos mal para o time da casa, que tentava chegar ao gol na base da força. O rubro-negro finalizou mais, porém sem levar grandes perigos para Fernando Prass. O Sport ainda começou melhor na segunda etapa, com uma bola na trave de Moacir e uma grande defesa de Prass no chute de Rithely.

E foi justamente quando começou a dar um indício de que a nuvem carregada passaria longe, o Vasco abriu o placar. Aos 22 minutos, Juninho bateu falta com perfeição e fez 1x0. A essa altura o Vasco também apostara na força e adpatou-se melhor ao campo. O time carioca tomou conta do jogo e teve outras oportunidades de ampliar até o golpe final aos 39. Tenório deixou Tobi no chão, passou por Magrão e fechou a conta em 2x0.


16ª rodada - Sport 0x1 Figueirense


Depois de pegar o então lanterna em casa, Atlético-GO, e não conseguir vencê-lo, o Sport teria outra bela chance de acabar com o jejum ao ter pela frente o vice-lanterna Figueirense. Num primeiro tempo horroroso, Gilberto foi o único a tentar alguma coisa. Na primeira vez acabou nas mãos do goleiro Wilson. Na segunda, foi desarmado antes do golpe fatal.

Aos dez minutos do segundo tempo, Aloísio recebeu de Guilherme Santos, ganhou facilmente de Aílson e bateu sem chance para Magrão. Nervoso e pressionado pela torcida, o Sport não conseguiu reagir. O maior alvo era o técnico Vágner Mancini. As mudanças não surtiram efeito e foi o Figueira quem chegou mais perto do segundo.

No vestiário, o técnico Vágner Mancini anunciou que estava deixando o comando do time. O Leão só não entrou na zona de rebaixamento nesta rodada porque o Fluminense venceu o Palmeiras.

17ª rodada - Botafogo 2x0 Sport


Novamente sem técnico, o time da Ilha seria comandado novamente pelo assistente Gustavo Bueno diante do Botafogo, no Engenhão. Surpreendentemente, o Sport foi o melhor time em campo na maior parte do tempo, mas apresentou uma incrível dificuldade de acertar a bola nas redes. A derrota fez com que o time entrasse na zona de rebaixamento - de onde não mais sairia.

Foram quatro oportunidades claras de gol dos pernambucanos, com destaque para Felipe Azevedo, que, cara a cara com Jefferson viu o goleiro defender seu chute logo no início do segundo tempo. Depois, duas falhas individuais - de Bruno Aguiar e Rivaldo - não foram perdoadas pelo Botafogo.

Aos 21, Bruno Aguiar cabeceou para trás e a bola encontrou os pés de Elkeson, que mandou para as redes. Dez minutos depois, Rivaldo deu um presente a Seedorf, que chutou por baixo de Magrão e marcava seu primeiro gol no Engenhão.


18ª rodada - Fluminense 1x0 Sport


O cenário foi o mesmo: Rio de Janeiro. O protagonista também: o Sport. Mudou o antagonista: agora era o Fluminense, naquele tempo nos calcanhares do Atlético Mineiro, o líder do Brasileirão. O roteiro foi praticamente o mesmo do jogo contra o Botafogo. O Sport começou bem, criou chance de gol, não aproveitou e viu o rival melhorar no segundo tempo e vencer a partida.

Pela segunda vez seguida, o time entrou em campo sob a batuta de Gustavo Bueno. Os jogadores marcaram forte e os atacantes procuraram se movimentar. Assim, Rithely perdeu uma grande chance logo aos seis minutos de partida. Quando o Flu foi à frente encontrou o onipresente Cicinho, pronto para bloquear as investidas.

Quando o camisa 12 cansou, foi substituído por Marquinhos Gabriel. Tobi foi para a lateral e terminou expulso. Carlinhos aproveitou a brecha aos 37 minutos e cruzou para Samuel se antecipar e decretar a quinta derrota seguida dos leoninos e o sexto jogo sem marcar gols. Se na rodada anterior, a equipe entrara na zona de rebaixamento, agora começava a criar raízes.

TVPS