domingo, 2 de dezembro de 2012

As emoções do Clássico dos Clássicos

Estava previsto desde o início da temporada que o Brasileirão 2013 se encerraria com o Clássico dos Clássicos. O que se ouvia eram os ecos dos pessimistas. A previsão era de um clássico sem emoção. Afinal, para esses, os dois times chegariam rebaixados. Mas Náutico e Sport fizeram campanhas distintas. E o duelo acabou ganhando doses cavalares de adrenalina. Para o Timbu, valia a classificação histórica para a Sul-Americana. Para o Leão, a fuga do rebaixamento à Série B. No final da partida, melhor para o Náutico. Vitória por 1x0 e objetivo alcançado. No Sport, choro. O time rubro-negro volta à Série B após uma campanha fraca na elite do futebol brasileiro.
O jogo foi tenso. E o Náutico foi um pouco melhor. A equipe alvirrubra entrou com o espírito de decisão. Como deve ser. Mesmo desfalcado de duas peças importantes (Jean Rolt e Martinez), o time se superou na vontade. Marcou forte o adversário e foi para cima do Leão em velocidade. Como sempre fez diante dos seus adversários. Ou seja, a equipe não perdeu o foco no jogo. Manteve o seu desempenho em jogos nos Aflitos. Se não fez bonito longe do Recife, em casa foi um time quase imbatível. Não vi destaques individuais, mas sim coletivo.
No primeiro tempo, três boas chances de gols. A última poderia ter sido melhor aproveitada. Kieza cobrou o pênalti e Saulo defendeu. O lance poderia ser sido o combustível para incendiar o time rubro-negro. Mas o Náutico não se abateu e continuou com a mesma pegada. A verdade é que o Náutico teve tranquilidade e confiança para impor seu jogo. Não se afobou. Em mais uma das inúmeras falhas da defesa do Leão, Araújo aproveitou para mandar a bola para as redes. A partir daí, o Náutico jogou no embalo da torcida. Não criou mais chances claras de gols, mas também não deixou o Sport jogar.
A classificação do Náutico à Sul-Americana foi um prêmio pela sua regularidade no Brasileirão. Em apenas uma rodada o Timbu figurou na zona de rebaixamento. O Náutico mostrou que consegue sair de situações adversas para atingir o sucesso. O clube passou por uma eleição turbulenta, foi eliminado precoce do Pernambucano e teve que montar um novo elenco para a disputa da Série A. E conseguiu fazer uma boa campanha. Agora, é trabalhar para manter uma base para a próxima pernambucana. Se o Náutico não vai estar no Nordestão, vai ter vaga na competição internacional. Fato que não acontece desde os  anos 60. E desde de 1990 o Náutico não figura sozinho na Série do Campeonato Brasileiro. Em 2013, o Timbu ainda vai jogar na Arena Pernambuco. Ou seja, a torcida alvirrubra tem muito o que comemorar.

Foto: Arnaldo Carvalho/JC Imagem
Pelo lado do Sport, a tristeza toma conta. O ano de 2012 foi, de fato para esquecer. No primeiro semestre, o Leão perdeu o título de campeão perenambucano, que estava nas mãos, em plena Ilha do Retiro. No segundo semestre, o time não se encontrou no Brasileirão. Somente na reta final do campeonato conseguiu mostrar um futebol mais compacto, competitivo. No entanto, foi tarde demais. Pela irregularidade e os vários erros no departamento de futebol, o Leão não merecia permanecer na Série A em 2013. Afinal, os revezes da vida servem para uma nova avaliação.
No duelo contra o Náutico, nesta tarde, o Sport deixou a desejar. Jogou muito abaixo do que se esperava. Não teve aquela fome por vitórias. Faltou o equilíbrio que o técnico Sérgio Guedes tanto falava durante a semana. O time sentiu o peso da necessidade da vitória. E ainda por cima havia a "secada" nos adversários Bahia e Portuguesa. Uma situação muito complicada, mas que foi criada pelo próprio time durante a competição.
Nos Aflitos, o Sport não mostrou forças. Foi uma equipe muito apática. As principais peças não se apresentaram para o jogo. E o setor ofensivo não conseguiu fugir da marcação do Timbu. Faltou a superação que vinha dendo destaque do time desde que Sérgio Guedes assumiu o comando do elenco. Para completar, perdeu seu melhor jogador durante o segundo tempo. O goleiro Saulo defendeu um pênalti no primeiro tempo e ainda duas defesas importantes no início da segunda etapa.
Mas o rebaixamento do Leão não se deu nos Aflitos. Aconteceu durante toda a disputa do Brasileirão. A equipe perdeu muitos jogos em casa. Algumas derrotas de goleada. Demorou muito para montar um elenco com certa qualidade. Isso sem falar nas diversas mudanças no comando técnico da equipe. O Sport não teve uma cara neste Brasileirão. Agora, vai ter que recomeçar o trabalho para voltar à elite do futebol nacional em 2014. E a missão não é fácil. Basta lembrar como foi que o Sport conseguiu sua vaga no ano passado.
E existe ainda mais um fator que pode complicar a situação do Leão: as eleições do clube. No dia 17 de dezembro, Luciano Bivar, pelo grupo da situação, e Homero Lacerda, pela oposição, "brigam" pelo voto do sócio rubro-negro. O grande ponto de discussão será a construção da Arena. O problema é que, de um lado está os radicalmente a favor. Do outro, os radicalmente contra. Então, dá para imaginar uma eleição em que serão expostas as trocas de insultos do que propriamente a troca de ideias. Espero que eu esteja errado. Pois, do contrário, o futuro do Sport será ainda mais complicado.
Bom, chegamos ao final da temporada 2012. Em 2013, teremos um presentante em cada divisão do futebol brasileiro. E que todos consigam encontrar forças para atingirem os seus objetivos.

TVPS